IInspirar: atitudes que transformam

Entrevistas iinspiradoras

Esse espaço é dedicado para entrevistas com gente e organizações iinspiradoras.

A entrevista de setembro de 2018 foi reservada para a voluntária Olga Castro, que coordena o projeto Centro de Valorização da Vida - CVV Comunidade.

Entrevista de setembro de 2018.

"O OUTRO EM PRIMEIRO LUGAR."

Olga Castro, entrevistada por Denis Moreira.

De vez em quando nos surpreendemos com algum famoso que se suicida. 

Infelizmente, às vezes a surpresa ocorre com o suicídio de alguém próximo. 

O fato é que as taxas de suicídio não param de crescer em todo mundo. Cerca de 

800 mil pessoas cometem o suicídio a cada ano no mundo. A cada 40 segundos

uma pessoa se mata. Ou seja, até você acabar de ler essa entrevista,

algo em torno de 10 a 15 pessoas terão se matado.  É muita gente. Por isso, a importância de mobilizações como as do setembro amarelo. Lutando para salvar vidas, o Centro de Valorização da Vida - CVV trabalha com a prevenção ao suicídio há quase 6 décadas. Hoje com cerca de 2.400 voluntários, o CVV realiza cerca de 2 milhões de atendimentos anuais. Nesta sensível entrevista, Olga Castro, que hoje coordena o CVV comunidade em Belém e é uma referência na instituição, nos fala um pouco dessa dura realidade e como você leitor pode se engajar nesta luta. 

1.Infelizmente nas ultimas décadas o suicídio tem aumentado em todo a mundo. Qual a importância do trabalho do CVV nesse contexto?

Olga Castro: importância do trabalho do CVV na sociedade atual se destaca pelo SABER OUVIR. É o pronto socorro emocional.  O outro em primeiro lugar. Disponível 24 horas, oferece  espaço para o desabafo, baseado na aceitação incondicional, compreensão empática, respeito ao momento da pessoa e confiança estabelecida pelo sigilo e anonimato.

2. Apesar de estarmos mais conectados, as pessoas estão se sentindo mais sozinhas?

 Olga Castro: A tecnologia foi criada para facilitar a comunicação e aproximar as pessoas, mas ela não substitui o abraço, o olho no olho, o toque de mão, o carinho. A rapidez da informação não acompanha o ciclo do sentir, pensar e agir. Com isso, as pessoas não se sentem acolhidas, sentidas, ouvidas e, consequentemente, se sentem sozinhas. Perguntamos sempre: tudo bem? Na maioria das vezes, não ouvimos a resposta. A pergunta é uma convenção. Em um mundo de surdos, saber ouvir é um exercício trabalhoso e respeitoso.

3. Como funciona o trabalho do CVV?

Olga Castro: O PROGRAMA CVV oferta apoio emocional, 24 horas, através do telefone 188. Atende pessoalmente em seus postos físicos e  pelo site WWW.CVV.ORG.BR.  Conta, ainda, com o CVV COMUNIDADE.

4. O CVV tem se reinventado nos últimos anos e se aproximado mais do público. Como funciona o CVV comunidade?

Olga Castro: É um programa de difusão da Proposta de Vida do CVV que utiliza ferramentas de apoio emocional para pessoas de qualquer sexo, idade, religião ou profissão, indo ao encontro das pessoas com necessidade de ajuda emocional e de locais em situações de riscos. Através        de reuniões programadas, exibição de filmes e outras ferramentas, promove a troca de experiências possibilitando o desenvolvimento das capacidades pessoais e autoconhecimento.

 

5. Há muitas pessoas que gostariam de ajudar. O que é necessário para se tornar voluntario?

 Olga Castro: Qualquer pessoa acima de 18 anos com disponibilidade de tempo para acolher, ouvir e queira exercitar uma nova proposta de vida.

6. Qual o número e endereço de atendimento do CVV?

Olga Castro: 188 é o número nacional do CVV.

Em Belém, o PROGRAMA CVV funciona na sala 404 do edifício Infante de Sagres, na Rua Manoel Barata, n. 718. No site www.cvv.org.br é possível atendimento por e-mail, por chat ou por Skype.  

    

7. Diante da necessidade de manutenção do trabalho e da disposição de muitas pessoas em ajudar, quem quiser fazer alguma doação, quais os dados da conta?

Olga Castro: Conta  6505-6 , agência 0765-X,  Banco do Brasil.

ENTREVISTA DE JULHO DE 2018

 " (...) DISCIPLINA, FORMAÇÃO DE CARÁTER, MUDA SUA VIDA (...)"

 Carmen Casca Grossa, entrevistada por Denis Moreira

O ser humano tem a mania de julgar por estereótipos e a partir deles discriminar. Carmen é uma vencedora não apenas pelos seus muitos títulos, mas porque venceu a discriminação e por seu exemplo como atleta e cidadã que inspira tantos jovens. Dentre outros títulos, foi 12 vezes campeã brasileira, campeã pan-americana e tricampeã mundial pela Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu esportivo. Por seus feitos, receberá em janeiro de 2019, na cidade de Curitiba, o troféu Mestre Zito por honra ao mérito esportivo, no Oscar do MMA nacional. Ela foi a pioneira no MMA entre mulheres e abriu caminho para gerações de jovens que aprendem arte marcial para ganhar a vida honestamente e para se educarem.  Seus projetos sociais para jovens de baixa renda já fez campeões. O apelido de "Casca Grossa" camufla um coração gentil e acolhedor. Vale conferir.

1.     Como começou sua carreira? 

Carmen Casca Grossa: Comecei através de um convite de um amigo de nome Paulo Guimarães ,comecei na academia APAN, na Quintino. O jiu-jitsu mudou a minha vida. Sou faixa preta 4 graus, aluna do mestre De La Riva.

 

2.      Você tem vários títulos em sua carreira. O que te motiva a lutar?

Carmen Casca Grossa: Sou campeã mundial da CBJJE, campeã Brasileira da CBJJ, campeã internacional de Master e Sênior. Competir pra mim é muito importante. Enquanto eu tiver com saúde estarei nas competições.

 

3.      Você foi uma das pioneiras entre as mulheres no Jiu-jitsu. Enfrentou preconceitos?

Carmen Casca Grossa: Sim, e fui umas das primeira. Na época era chamado de vale tudo. Hoje se chama MMA. Os preconceitos sempre tem, como ser chamada de sapatão, mas temos que relevar e vencer.

 

4.      Você vai receber em janeiro de 2019, na cidade de Curitiba, o troféu Mestre Zito por honra ao mérito esportivo, no Oscar do MMA nacional. É o maior reconhecimento de seus anos de esforço?

Carmen Casca Grossa: Já ganhei o troféu Romulo Maiorana uma vez. Agora vou ganhar o maior troféu  do MMA nacional. É a primeira vez que uma paraense vai ganhar esse título. Pra mim vai ser um orgulho.

 

5.      Você tem vários projetos sociais onde usa as artes marciais como forma de inclusão social. Fale um pouco de seus projetos.

Carmen Casca Grossa: São quatro projetos sociais, com dezenas de jovens e vários campeões. Resgatar jovens para o projeto social e fazer deles grandes campeões, isso não tem preço.

 

6.      Você já tem alunos profissionais lutando pelo Brasil?

Carmen Casca Grossa: Sim, lutam em grandes eventos com Jungle Fight e Shooto Brasil.

 

7.      Como as artes marciais podem ser importantes na formação desses jovens?

Carmen Casca Grossa: Disciplina, formação de caráter, muda a sua vida e sua educação, pois precisa estudar e ser um vencedor. 

 
 

ENTREVISTA DE JUNHO DE 2018

"(...) CONHECER DE PERTO AS HISTÓRIAS DE VIDA

DE MIGRANTES E REFUGIADOS E O QUE OS MOVE.

É TRANSFORMADOR." 

Érika Pires Ramos, entrevistada por Denis Moreira.

Enquanto vários países do mundo endurecem suas políticas públicas contra migrantes e refugiados, há muitas organizações e pessoas que lutam pela dignidade dessas pessoas. É o caso de Érika Pires Ramos, Procuradora Federal, doutora em Direito Internacional Público Pela USP, fundadora da Rede Sul-Americana para as Migrações Ambientais – RESAMA e destaque no ativismo ambiental nacional e internacional em favor dos refugiados ambientais. Ela que nos concede essa ótima entrevista.

1.      O ACNUR trata migrantes e refugiados de forma diferente. Qual o tratamento da ONU em relação a pessoas que se deslocam em razão de questões climáticas ou desastres ambientais?

Érika Ramos: É verdade. Os refugiados contam com um instrumento internacional específico que lhes confere reconhecimento e proteção (Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados de 1951 e seu Protocolo de 1967). Os migrantes ambientais ainda não contam com uma proteção específica obrigatória no âmbito das Nações Unidas, apesar do esforço das inúmeras agências da ONU, das organizações da sociedade civil e da Academia. Isso motiva uma grande preocupação pela situação de vulnerabilidade a que ficam expostas as populações em risco de deslocamento e as já deslocadas – seja no interior dos seus países, seja quando precisam cruzar uma fronteira internacional.

2.      Apesar dos muitos compromissos assumidos pela comunidade internacional, vários índices ligados a mudanças climáticas seguem perigosos e alguns até pioraram. Como esse cenário afeta as migrações ambientais?

Érika Ramos: Impacta diretamente porque os cenários climáticos de que se tem notícia sinalizam para o aumento da intensidade e frequência dos eventos e desastres. Hoje a maioria dos desastres têm origem em eventos hidrometeorológicos (climáticos). Ano a ano essas projeções parecem se confirmar na prática, mas falta a muitos países capacidade de prevenção e resposta, o que impacta na assistência às populações atingidas, deslocadas e em risco. Falta também a consciência de que contribuímos para esse cenário pela adoção de um padrão de consumo insustentável e ambientalmente degradante. E que a prevenção de riscos é a melhor estratégia. É urgente nos apropriarmos da questão e entender que, além de governos e das organizações internacionais, temos, em maior ou menor grau, responsabilidade no agravamento desses cenários e na construção de soluções para enfrentá-los. Seremos todos atingidos pelas mudanças ambientais globais. Elas não respeitam limites territoriais ou fronteiras.

 

3.      Da mesma forma, desastres naturais geralmente causam grandes migrações. Qual a projeção de migrações ambientais para as próximas décadas e de que forma isso pode afetar a pauta da comunidade internacional?

Érika Ramos: Antes de falar em projeções, importante dizer que quando falamos de migrações ambientais estamos a falar de pessoas e não de meros dados estatísticos. São pessoas com seus modos de vida, laços familiares e comunitários, atividades econômicas, pertencimento territorial. Outra questão é que, dificilmente, um desastre é considerado “natural”. Existem ameaças naturais (como um terremoto, uma erupção vulcânica), mas para se converter em desastre é preciso atentar para as vulnerabilidades socioambientais,  econômicas e políticas preexistentes em cada contexto específico. A ocupação de áreas de risco, a ausência de políticas públicas, a baixa capacidade de prevenção e resposta institucional e comunitária, dentre outros fatores, podem contribuir para a ocorrência de desastres. As projeções não são nada animadoras: uma mais recente, divulgada pela imprensa internacional, estima  que a mudança climática poderia provocar o deslocamento de 1 bilhão de pessoas até 2050. Em 2017, foram registrados 18,8 milhões de novos deslocamentos internos por desastres no mundo; nas Américas, foram 4,5 milhões de pessoas e, no Brasil, 71 mil pessoas (fonte: IDMC).  O impacto na agenda internacional é evidente porque, além das perdas humanas e dos deslocamentos transfronteiriços, as perdas econômicas são significativas: apenas em 2017 os desastres geraram perdas 330 de bilhões de dólares no mundo e a cooperação internacional tem sido cada vez mais demandada para a recuperação e assistência da população atingida, especialmente nos países mais vulneráveis.

4.      A Rede Sul-Americana para as Migrações Ambientais – RESAMA, da qual você é fundadora, tem atuado em defesa dos migrantes ambientais. Quais os principais avanços políticos e jurídicos nesse campo?

Érika Ramos: Temos trabalhado intensamente através da pesquisa, capacitação e incidência política para introduzir o tema nas agendas públicas da região e sensibilizar atores regionais e nacionais envolvidos nas agendas ambiental e climática, migratória, de prevenção e redução de risco de desastres e de proteção de direitos humanos a atuar de forma integrada no sentido do reconhecimento e proteção integral dos direitos dos migrantes ambientais e de garantir vez e voz às comunidades afetadas para que suas necessidades sejam compreendidas e efetivamente atendidas. Com esse enfoque, temos contribuído com várias iniciativas ou plataformas internacionais, de forma integral ou temática, já contemplam ou poderiam contemplar essa proteção: Plataforma sobre Deslocamentos por Desastres, Força Tarefa sobre Deslocamentos do Mecanismo Internacional de Varsóvia da Convenção sobre Mudança do Clima, Plataforma Regional para a Redução de Riscos de Desastres, Conferência Sul-Americana sobre Migrações, Pacto Mundial para uma Migração Segura Ordenada e Regular.

5.      Ainda há muita resistência e desconhecimento da população em relação ao assunto migração e refúgio. Como enfrentar esse desafio?

Érika Ramos: Penso que é preciso uma atuação constante e atenta para combater a desinformação e o preconceito sobre esses temas, não apenas sensibilizando a população em geral. Nos meios de comunicação e entre atores públicos e privados há ainda bastante desconhecimento e desinformação. Podemos começar dentro da nossa própria casa – buscando boas fontes de informação - e no nosso círculo social próximo desconstruindo mitos e preconceitos. Mas a melhor forma de vencer qualquer resistência ou desinformação é conhecer de perto as histórias de vida de migrantes e refugiados e o que os move. É transformador. É o que nos inspira a seguir em frente.

6.      Como a migração ambiental está sendo tratada no Brasil? Há políticas públicas a respeito?

Érika Ramos: Há a previsão do visto temporário para acolhida humanitária ao nacional de qualquer país em situação de desastre ambiental na nova lei brasileira de migração (Lei n. 13.445/2017) no contexto da migração internacional. No entanto, o referido dispositivo ainda depende de regulamentação. Para os deslocados internos por razões ambientais ainda não há normas ou políticas públicas específicas que protejam os seus direitos, embora hajam espaços importantes onde o tema precisa ser incorporado: normas e políticas de mudança climática (incluindo o Plano Nacional de Adaptação - que prevê a migração como possível estratégia de adaptação); normas, políticas e programas de prevenção e redução de riscos de desastres, por exemplo. Há muito que pode ser feito pelo Brasil para se alinhar às plataformas temáticas internacionais já mencionadas.

7.      Considerando que estamos no mês de junho em que se celebra o dia mundial do meio ambiente (5 de junho) e o dia mundial do refugiado (20 de junho) há mais motivos para comemorar ou para se preocupar?

Érika Ramos: É importantíssimo conhecer e celebrar os avanços que já conquistamos e os que estão em andamento, mas também reconhecer que ainda há muito a ser percorrido para que os migrantes ambientais – que ainda não contam com um reconhecimento formal como acontece com os refugiados - saiam da invisibilidade e seus direitos sejam plenamente reconhecidos e respeitados em todo o processo de deslocamento, com voz ativa e participando efetivamente desse processo de reflexão e construção de soluções.

Para maiores informações sobre o trabalho da RESAMA:

www.resama.net

facebook: resamanet

twitter:@resama2015

contato.resama@gmail.com

Rede Sul-Americana para as Migrações Ambientais – RESAM

   ENTREVISTA DE MAIO DE 2018

"AS DIFICULDADES SÃO INÚMERAS

MAS A FORÇA DE VONTADE DE

SUPERÁ-LAS SÃO AINDA MAIORES." 

 Juliana Rodrigues, entrevistada por Denis Moreira

Em 2017, o Brasil se encantou com o trabalho de Tia Socorro, que ficou conhecido nacionalmente com o recebimento do prêmio Inspiração do programa Caldeirão do Huck. Pouco tempo depois, Tia Socorro nos deixou e também deixou muitos órfãos. Mas, com brio e coragem, Juliana Rodrigues assumiu o trabalho do Lar Acolhedor Tia Socorro e nos conta um pouco desse lindo trabalho, que acolhe crianças abandonadas e vítimas de violência doméstica e abusos sexuais. 

1. Desde quando o Lar da Tia Socorro funciona e como tudo começou?

Juliana Rodrigues: O Lar Acolhedor Tia socorro existe há mais de 30 anos, mas só se tornou uma instituição jurídica no ano de 2007.

O Projeto foi idealizado e concretizado Por Maria do Socorro Rodrigues Pereira (Minha Mãe).

2. O que mais mudou no trabalho de vocês ao longo dos anos?

Juliana Rodrigues: A fidelização dos colaboradores que ao longo dos anos foram percebendo a seriedade do trabalho e o aumento de parcerias.

3.Qual o perfil das crianças que são atendidas pelo Lar da Tia Socorro?

Juliana Rodrigues: Elas vem encaminhadas pela vara da infância e juventude, promotoria e conselho tutelar, as demandas acolhidas são: abuso e exploração sexual, violência doméstica física e abandono.

4. Recentemente a Polícia Federal fez uma das maiores operações da história para prender criminosos que praticavam o crime de pedofilia em vários estados do país. A violência sexual contra crianças ainda é uma realidade muito presente entre as crianças acolhidas por vocês?

Juliana Rodrigues: Sim, pois é o nosso maior público de atendimento. 

Quase 80% da demanda acolhida são  vitima de abuso sexual ou exploração sexual.

5.O trabalho da Tia Socorro foi reconhecido nacionalmente após receber o prêmio Inspiração do Programa Caldeirão do Huck em 2017.Qual foi a repercussão dessa visibilidade no trabalho desenvolvido por vocês?

Juliana Rodrigues: O trabalho ficou reconhecido nacionalmente e assim muitos tiveram a oportunidade de conhecer a instituição e ajudar.

6. Com a morte da Tia Socorro, como tem sido levar em frente seu trabalho? Quais as maiores dificuldades que vocês enfrentam hoje?

Juliana Rodrigues: O trabalho vem sendo conduzido com muito empenho de todos os colaboradores e amigos voluntários, buscando desenvolver da melhor forma possível o bem estar de todos os acolhidos, as dificuldades são inúmeras mas a força de vontade de supera-las são ainda maiores.  

7. Onde funciona o Lar da Tia Socorro e como nossos leitores podem ajudar este lindo trabalho?

Juliana Rodrigues: A entidade funciona na Estrada do Caruara, Rua da Horta Promessa de Deus, 22, bairro do Carananduba - Mosqueiro - PA.

As formas de ajudar são diversas pois temos:

Adote um projeto

Seja um voluntario

Energia do bem - seu lixo pode ser reciclado e nossa energia pode diminuir - Maiores Informações 98168-8993

Nossa conta bancária

CNPJ nº 09.309.468/0001-37

Banco Bradesco -237

Agência 5592

Conta corrente 50143-3

Associação Lar Acolhedor Tia Socorro

Nossas redes sociais para acompanhar nossas ações

Instagram @laracolhedortia

Página Facebook / Associação Lar Acolhedor Tia Socorro

Site: www.laracolhedortiasocorro.org.br

contatos: 9198168-8993/98232-6742

 

ENTREVISTA DE ABRIL DE 2018

"O QUE MAIS PRECISAMOS É DO RESPEITO."

Elisângela Dell-Armelina Suruí, entrevistada por Denis Moreira.

 

 

 

 

 

O Brasil ainda passa por muitas dificuldades na educação. O desempenho pífio de muitos estudantes até de escolas particulares chama atenção. A situação se agrava especialmente para minorias, grupos vulneráveis e povos indígenas, que estudam sem estrutura e com propostas pedagógicas equivocadas ou ultrapassadas. Por isso, Elisângela Dell-Armelina Suruí merece nosso respeito e atenção. Dentre vários concorrentes qualificados, ela a vencedora do prêmio Educadora do Ano de 2017 da 20ª edição do Prêmio Educador Nota 10 por seu projeto de alfabetização na língua indígena Paiter Suruí, em Cacoal, no interior de Rondônia. IInspire-se nessa mulher que faz a diferença no coração da Amazônia e tem tanto a nos ensinar.

 

1. Você foi a vencedora do prêmio Educadora do Ano de 2017 da 20ª edição do Prêmio Educador Nota 10. O que isso representa para você e para sua comunidade escolar?

Elisângela Dell-Armelina Suruí. Ser premiado com um prêmio tão importante na educação brasileira, para mim e minha comunidade, foi muito bom ver um sonho se realizar, um sonho de ver que é possível existir uma educação que valorize o conhecimento das comunidades tradicionais e sua importância. Hoje sabemos da urgência em que a humanidade tem em mudar sua mentalidade e construir uma sociedade mais justa e economicamente sustentável. Com o prêmio foi possível revelar aos meus alunos o quanto eles são importantes, o quanto são valiosos para o mundo e que através de conhecimentos tradicionais, de práticas como agricultura sustentável, cuidados com os rios e com a floresta, mostram que construir um mundo mais justo e solidário é essencial para todos.

 

2. Dia 19 de abril comemora-se o dia do índio e no dia 28 de abril comemora-se o dia da educação. Você se destacou justamente por seu projeto de alfabetização na língua indígena Paiter Suruí, em Cacoal, no interior de Rondônia. O que o seu projeto tem para ensinar para o país?

Elisângela Dell-Armelina Suruí. Penso na imensa responsabilidade como educadora na busca da formação cidadã, pois o poder público dispõe de uma educação engessada por legislações que não contemplam a realidade dessas crianças. Posso afirmar que ser índio hoje é estar o tempo todo em luta pela afirmação identitária e pela preservação física e de sobrevivência territorial. O projeto “Mamug koe ixo tig” - A fala e a escrita da criança, contribui para ensinar ao nosso país a compreender que cada cultura desenvolve seu próprio padrão de conhecimento e estabelece o que considera progresso, planeja seu desenvolvimento dentro de sua existência e experiência, e que estabelecer um único padrão é a negação de tudo que vivemos em tempos e espaços diferentes.

3. Qual o impacto da alfabetização nas comunidades indígenas e como isso reflete na qualidade de vida desses povos?

Elisângela Dell-Armelina Suruí. As práticas político-pedagógicas destinadas à educação e especialmente às crianças indígenas, precisam de um olhar atento de que a liberdade delas não pode sucumbir à ditadura do consumismo imposta pelo capital, temos que preparar essas crianças para que possam enfrentar os obstáculos nesse mundo de desigualdades sociais e preconceitos. Trabalhar no sentido de viver bem e construir discernimento para que não sejam alienados na vida moderna, onde possivelmente podem levá-los à escravidão imposta pelo capitalismo global.

4. Quais virtudes um educador precisar desenvolver para ousar e se diferenciar na educação em um país com taxas tão baixas de desempenho escolar?

Elisângela Dell-Armelina Suruí. Infelizmente o poder público não apoia uma educação inovadora, e uma educação de qualidade fica muito distante para a maioria da população brasileira quem dirá para as comunidades indígenas, pois existe um distanciamento entre a educação que os povos querem e a educação que o governo tenta implantar. Não dá para ficar parado esperando, pois crianças estão nascendo e crescendo, precisam de amparo e de uma educação que seja parâmetro no presente e de futuro, tanto na defesa de seu território quanto no seu protagonismo de vida.

5. Você vive na aldeia Nabeko D Abadakiba. O que te encanta da vida na aldeia?

Elisângela Dell-Armelina Suruí. Iniciei na educação escolar indígena no ano 2001 como professora voluntária na aldeia “Nabekodabadakiba”(o lugar onde foram pendurados os facões, com referência ao contato oficial dos Paiter Surui com a sociedade não indígena, através do órgão tutor/FUNAI (Fundação Nacional do Índio).

No ano de 2002 me casei com um indígena dessa aldeia e me integrei completamente na vida tribal, além de atuar como professora na escola da aldeia. Em um tempo relativamente curto tive 2 filhos, hoje com 3, e minha vida na aldeia e entre as famílias que ali viviam assumiu um caráter definitivo. Ali eu viveria. Ali era definitivamente meu lugar. O que mais me encanta, viver na aldeia, além de toda riqueza natural, é reaprender outros valores, outros conceitos, bem como as normas dessa etnia específica. E compreendendo todo esse processo é ter a capacidade de aprender e reaprender, que estará pronto para realizar o seu melhor trabalho.

6. Ainda há muito preconceito contra povos indígenas? Você acha que o brasileiro conhece seus povos indígenas?

Elisângela Dell-Armelina Suruí. Acredito que o preconceito é a falta de conhecimentos, e infelizmente até hoje tem muita gente que ainda tem uma visão estereotipada, que o índio deve viver na floresta, pelados, usando cocar, ou que só existe uma língua, o “Guarani”, falada por todas etnias do Brasil, imagens essas transmitidas por muito tempo nos livros didáticos. Sendo a cultura um produto das relações sociais e que está em constante recriação, isso acontece também com as comunidades indígenas, aqui em nossas aldeias temos jovens com Facebook, aldeias com internet, indígenas trabalhando em cargos de chefia nos órgãos de educação e saúde, outros fazendo faculdades em diversas áreas, mas não deixam de ser índios por isso. Um dia ouvi de uma liderança de nosso povo que dizia “Eu posso usar roupas como o homem branco, usar sapatos como o homem branco, ter casa, carro como o homem branco, mas eu nunca vou deixar de ser Surui, pois está no meu sangue, na minha vivência, está em mim.”

7. Que mensagem você gostaria de deixar para nossos leitores?

Elisângela Dell-Armelina Suruí. Compreender e conviver com as diversidades culturais e aprender com diferentes formas de se ver e estar no mundo, isso nos fortalece e traz um desejo de ver a paz e a igualdade social entre os povos, pois é na diversidade que abrimos caminho para interculturalidade e com oportunidade e possibilidades de oportunizarmos encontros com nós mesmos. Gostaria de convidar a todos leitores que procurem conhecer mais sua cultura, seu Brasil, somos todos filhos dessa terra e devemos nos unir e batalhar juntos, pois o que mais precisamos é do respeito.

 

 

ENTREVISTA DE MARÇO DE 2018

"A FALTA DE CONHECIMENTO QUE ACABA POR 

GERAR PRECONCEITO".

Emanoel O´ De Almeida Filho, entrevistado por Denis Moreira.

 

 

 

Emanoel é um cara que tem sorriso nos olhos e um abraço acolhedor. O sobrenome de família tradicional não lhe tira a simplicidade, mas antes lhe reforça a sensibilidade para causas sociais. Aos 52 anos, Emanoel O’ de Almeida Filho não sabe precisar como começou a frequentar a Apae. Tem a impressão de que a instituição era uma extensão da casa de seus pais, Emanoel e Nazaré O’ de Almeida, os primeiros voluntários da família a dedicar amor e disposição para dar a melhor atenção possível às pessoas com deficiência e suas famílias através dos serviços ofertados pela Apae. Como voluntário, membro dos órgãos diretivos da Apae, iniciou aos 21 anos convocado pelo pai, então conselheiro da Apae Belém, logo após a formatura em Direito, ocupando o cargo de procurador geral. De lá pra cá são 30 anos de atividades ininterruptas no qual esteve presente nas administrações da Apae Belém, da Federação das Apaes do Estado do Pará e da Federação Nacional das Apaes.

 

1.  No último dia 21 de março foi comemorado o Dia Internacional da Síndrome de Down. Há motivos realmente para comemorar em termos de políticas públicas e inclusão social?

Emanoel O´ De Almeida Filho. No Movimento Apaeano preferimos não tratar o Dia Internacional da Síndrome de Down como uma data comemorativa, mas como um dia de conscientização no qual abrimos a oportunidade para que a sociedade conheça melhor a pessoa com Síndrome de Down e entenda o papel relevante que essas pessoas podem desenvolver para alcançarmos uma sociedade mais inclusiva.

Pode-se comemorar as conquistas que obtivemos nos últimos anos, fruto do engajamento das instituições de defesa de direitos e, principalmente, das famílias e dos atores principais dessas lutas, as pessoas com deficiência. Ainda temos uma escassez muito grande de políticas públicas voltadas para a inclusão social, mas avançamos na legislação que garante direitos e autogestão que, imagina-se, em médio prazo, vão subsidiar políticas públicas mais eficazes no processo, sem volta, de inclusão social da pessoa com deficiência.

   

2. Recentemente uma autoridade pública expressou em rede social um desconcertante preconceito em relação a uma professora com síndrome de Down.  Na sua percepção, qual a melhor forma de combater o preconceito?

Emanoel O´ De Almeida Filho. Informação. Penso que temos um lapso enorme de falta de conhecimento que acaba por gerar preconceito, inclusive em pessoas que ocupam postos chave na área pública e na iniciativa privada. Ainda se trata a pessoa com deficiência com capacitismo, um ser inferior, negando-lhe a possibilidade de exercer sua cidadania na plenitude, o que hoje é uma garantia constitucional e estabelecida como obrigação à sociedade por normas infraconstitucionais. A pessoa com Síndrome de Down, a partir do fenótipo, é reconhecida como um ser dócil, carinhoso, mas totalmente dependente dos pais ou responsáveis. Essa não é e nunca foi a realidade, apenas não era dada oportunidade de desenvolvimento a essas pessoas e informação às suas famílias e aí se formou a cultura do preconceito, cujo combate, a meu ver, deve ter como instrumento a informação.


 

3. A professora Débora Seabra, que foi objeto da manifestação preconceituosa supracitada, já recebeu vários prêmios por seu belo trabalho. Ela representa uma tendência de pessoas portadoras da síndrome de Down de buscarem novos espaços na sociedade?

Emanoel O´ De Almeida Filho. Conheço a professora Débora Seabra. Já a visitei em seu local de trabalho e vi o quanto, na profissão que escolheu, é eficiente. Existem dois desafios hoje para quem tem a autogestão da pessoa com deficiência, principalmente intelectual, dentre suas prioridades, com é o caso das Apaes no Brasil: a qualificação profissional e o envelhecimento, neste último caso porque a expectativa de vida da pessoa com Síndrome de Down é bem superior a que tinha no início das atividades das Apaes no Brasil, em 1954. Uma das diretrizes mais importantes do Movimento Apaeano é o fortalecimento, em todas as instâncias das Coordenadorias de Educação Profissional, Trabalho, Emprego e Renda.


 

4.       Como a APAE tem trabalhado com essas pessoas? Que tipo de serviço a APAE oferta?

Emanoel O´ De Almeida Filho. O trabalho da Apae inicia desde o momento em que há o diagnóstico de deficiência da criança recém-nascida, pois é importante que a pessoa com deficiência, especialmente a criança com Síndrome de Down, tenha um atendimento precoce, que seja estimulada desde da primeira infância, e as técnicas, hoje em dia, são as mais diversificadas. O atendimento na Apae Belém envolve, na área de saúde (CAMS), abordagem com equipe multidisciplinar compostas por médicos pediatras e neurologistas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicomotricistas, educadores físicos, odontólogos. Na área pedagógica contamos com profissionais educadores realizando o Atendimento Educacional Especializado (AEE). E temos o Instituto de Diagnóstico, Pesquisa e Ensino (IDIPE) que é o responsável por capacitar nossos profissionais e fomentar a pesquisa científica.


 

5.    Qual a maior dificuldade que a APAE enfrenta?

Emanoel O´ De Almeida Filho. Hoje acho que toda instituição que é caracterizada como filantrópica sofre com a falta de recursos para manter seus serviços com qualidade. A crise não só atingiu os serviços públicos e o setor empresarial. As instituições filantrópicas foram a reboque e sofreram as consequências, e as Apaes fizeram, nos últimos anos, com o crescente esvaziamento das parcerias com o poder público, uma guinada em direção à sociedade, pedindo apoio para financiar suas ações, mas com o desemprego crescente e o nível de endividamento das famílias por conta da crise econômico-financeira que o Brasil enfrenta tem diminuído nossa capacidade de investimento e já começa a afetar nossos serviços.


 

6.      Qual o papel da família no apoio à pessoa portadora de síndrome de Down?

Emanoel O´ De Almeida Filho. Importantíssimo. Os resultados mais significativos no desenvolvimento da pessoa com Síndrome de Down tiveram o protagonismo das famílias como mola propulsora. A participação dos pais em todas as fases do atendimento, desde a estimulação precoce até o estímulo ao trabalho é imprescindível, até para eliminarmos a cultura da incapacidade de exercer uma atividade laboral, que, em muitos casos, tem na família sua maior estimuladora. Conheço caso, por exemplo, aqui na Apae Belém que pai com nível de escolaridade superior, servidor público, preferiu que o filho desenvolvesse uma depressão a autorizá-lo a trabalhar, por receito que ele sofresse preconceito, quando o maior preconceito era ele quem estava produzindo.

  

7.   Que mensagem você gostaria de passar para nossos leitores?

 

Emanoel O´ De Almeida Filho. Coloquem-se à disposição do bem. Sei que muitos daqueles que têm vontade de dar sua contribuição em uma ação social voluntária colocam o tempo como empecilho, mas a partir do momento em que você se coloca à disposição a corrente girará a seu favor e da ação que você se propôs a desenvolver. Assim tem sido comigo ao longo do tempo que passei a me dedicar à Apae e às ações que essa dedicação desencadeou. Continuo à disposição do bem.

A sede da Apae Belém fica na avenida Generalíssimo Deodoro, nº 413, no bairro do Umarizal

Portal da Apae Belém: http://belem.apaepa.org.br/ (está sendo reestruturado)

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