IInspirar: atitudes que transformam

SIMPLES ASSIM

December 31, 2017

                                       

                                      

                                               “O reino dos Céus está dentro de vós”

                                                (Jesus)

 

                                               “Olha para teu interior, tu és o Buda.”

                                                (Buda)

 

 

                Você já teve ou tem a sensação de que sua vida anda em ritmo acelerado, complicada demais e que lhe falta um sentido mais profundo?[1] Se sua resposta é sim, então você precisa ler Simplicidade voluntária: em busca de um estilo de vida exteriormente simples, mas interiormente rico, de Duane Elgin e também ler Por uma vida mais simples: histórias, personagens e trajetória da simplicidade voluntária no Brasil, de André Cauduro D´Angelo, ambos publicados pela editora Cultrix.

                Arrisco dizer que seria bem provável que você saísse transformado de um bate papo, aos goles de um bom café, com Duane e André. Não porque eles te converteriam em um adepto da simplicidade voluntária, mas porque você perceberia que tem muita gente adotando um estilo de vida cheio de prazer, felicidade e riqueza, embora de outra natureza.

                Ambos livros são maravilhosos. Enquanto Simplicidade voluntária é prefaciado por ninguém menos que Edgar Mitchel, o livro Por uma vida mais simples é prefaciado por Danuza Leão.

                Comece lendo Duane. Ele é um dos vanguardistas contemporâneos desse estilo de vida. No livro, você vai entender melhor os conceitos, a proposta e desmistificar aspectos dessa atitude perante a vida.

                O livro Simplicidade voluntária aborda com maestria a interligação entre aspectos essenciais de nossa existência, como nossa relação com o planeta, com outros seres humanos e conosco mesmo, tudo sob o prisma de uma cosmovisão sensível e inclusiva. Duane demonstra que a simplicidade voluntária não é pacto de pobreza. É antes uma proposta de vida baseada, dentre outras coisas, nos conceitos de interdependência, riqueza íntima e suficiência, esta virtude defendida por Santo Agostinho. Traz uma grande variedade de breves depoimentos de pessoas que adotaram este estilo de vida em áreas as mais diferentes possíveis, como espiritualidade, desenvolvimento pessoal, projetos profissionais, feminismo, atuação política, ecológica e comunitária. O livro se encerra com uma lista de outros livros recomendados sobre o tema. É um livro inspirador.

                Já no livro Por uma vida mais simples, André fez um cuidadoso levantamento histórico do surgimento e evolução do tema desde a antiguidade, de seus principais personagens, desde Sócrates e sua clássica afirmação: “Quantas coisas existem e das quais não preciso”, destacando o papel seminal de Henry Thoureau e seu clássico livro Walden[2], passando pelo pastor francês Charles Wagner, por Richard Barlett Gregg (discípulo de Gandhi e criador do termo simplicidade voluntária), por Duane Elgin até suas versões mais atuais.  

                Dentre os méritos do livro está a ordenação didática e bem encadeada dos temas. Ele diferencia, por exemplo, os grupos de simplifiers (moderados, acidentais e radicais) e oferta também um olhar crítico sobre a proposta da simplicidade voluntária, expondo em bom tom suas vulnerabilidades e as dificuldades que os simplifiers enfrentam no cotidiano.

                O livro está dividido em quatro eixos temáticos: consumo, trabalho, religião e meio ambiente. Tais eixos estão alinhados com os cinco pilares da simplicidade voluntária propostos por Duane e Mitchel, quais sejam: 1) simplicidade material contra os excessos do consumismo; 2) a escala humana e a prevalência de ambientes menores, que facilitem a interação e o sentido coletivo; 3) Autodeterminação e a maior independência pessoal; 4) O compromisso ambiental com o planeta e próximas gerações; 5) O crescimento pessoal como proposta de uma vida íntima rica, sendo esta a principal finalidade da simplicidade voluntária.

                A partir desses eixos temáticos orbitam miríades de temas e experiências de vida que provocam profícuas reflexões. André demonstra, com clareza meridiana, que não há um jeito certo ou errado de adotar esse modo de vida, que tem, em verdade, uma grande variedade de vivências e aplicações.

                Na parte final do livro, traz o relato de 19 pessoas – de 31 entrevistadas em 5 Estados - que adotaram esse estilo de vida. Algumas inconscientemente, por instinto ou necessidade. São relatos tocantes, sinceros e que descerram outro olhar para vida e mil possibilidades, por vezes invisíveis a mentes e corações estressados, ansiosos, tristes e sempre com pressa e sem tempo.

                Encerro recomendando a dobradinha dos livros Simplicidade voluntária, de Duane Elgin e Por uma vida mais simples, de André Cauduro D´Angelo como um remédio para almas cansadas, sobrecarregadas e insatisfeitas com os rumos e ritmos de suas vidas. Deixo com vocês três perguntas relacionadas ao tema para reflexão e quem sabe como ponto de partida para auspiciosas transformações em suas vidas:

 

1.   O autoconhecimento e autodesenvolvimento são prioritários em sua vida?

2.   A cada dia, a maior parte do seu tempo e da sua energia é investida em ações, atividades e projetos que têm sentido para você?

3.   Qual o legado que sua vida deixa para o planeta e para humanidade?

 

 

 

Indicação de leitura: a) Pessoas que se sentem sobrecarregadas; b) Pessoas que não conseguem dar conta dos compromissos e mesmo assim têm dificuldade de dizer não; c) Pessoas apegadas e acumuladoras; d) Consumistas crônicos; e) Quem está atrás de uma nova vida, menos corrida e mais simples.

Posologia: Três doses de leitura e reflexão sempre que a ansiedade e a angústia bater. Nos casos mais graves e urgentes, doar objetos que não te sirvam mais e tirar um final de semana para praticar algumas das práticas adotadas pelos simplifiers.

Efeitos colaterais: Dentre os efeitos observados destacam-se a sensação de que você precisa testar uma vida mais simples e a ampliação do seu conceito de riqueza.

 

                            

 

[1] Noutra resenha, comentarei os filmes Na Natureza Selvagem e Capitão Fantástico, que abordam essa temática de forma apaixonada, provocativa e, de certa forma, chocante.

 

[2] Wanden, aliás, será um frequentador assíduo de algumas de nossas resenhas culturais, pela sua importância histórica e literária e pelo muito que ele dialoga com vários temas e obras.

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