IInspirar: atitudes que transformam

Os algoritmos e o sequestro da humanidade: como sobreviver a um mundo cada vez mais artificial?

February 18, 2018

Há séculos consideramos a razão como o traço distintivo dos homens em relação aos demais animais. É pela razão que o homem analisa criticamente a realidade, reflete sobre a sua existência, cria laços culturais e constrói sua identidade.

De forma sucinta podemos afirmar que a razão compreende uma série de habilidades intelectuais, também conhecidas como inteligências, como a capacidade de raciocínio (aplicação de regras lógicas para deduzir uma conclusão), de aprendizagem (repetir os acertos e não repetir os erros anteriores), de reconhecimento de padrões (visuais, sensoriais, comportamentais, etc.) e de inferência (capacidade de relacionar o conhecimento anterior às suas situações cotidianas).

Essa concepção racionalista da espécie humana parece cada vez mais ameaçada, entretanto, pelo desenvolvimento alcançado nos últimos anos pela inteligência artificial, termo cunhado nos anos cinquenta para descrever o conjunto de tecnologias destinadas à emulação daquelas habilidades intelectuais e, consequentemente, à execução de funções e atividades que exigiam a participação de seres humanos.

Considerando o atual estágio de desenvolvimento tecnológico não se fazem mais necessárias maiores considerações sobre os grandes impactos que a inteligência artificial está e continuará promovendo nas relações sociais e econômicas, especialmente nas relações trabalho. Vivemos num mundo cada vez menos sujeito ao acaso, bombardeados que somos por estímulos sensoriais, emocionais e políticos predeterminados pelos algoritmos - instruções computacionais criadas pelos governos, pelas grandes corporações e pelas redes sociais para analisar e interpretar continuamente os dados pessoais coletados nas nossas vidas (reais e virtuais).

Ainda teremos aqui no IINSPIRAR outras oportunidades de refletir sobre todas essas preocupações e suas implicações sobre a humanidade. Por hora, propomos uma discussão: como mantermos nossa humanidade e vivermos nossos propósitos em um mundo cada vez mais artificial? Serão as tecnologias de inteligência artificial nossas aliadas ou algozes da jornada humana?

Stephen Hawking, considerado o maior astrofísico vivo, declarou recentemente em entrevista à revista Wired o seu temor de que a inteligência artificial venha a substituir os humanos e até mesmo ser considerada uma nova forma de vida com potencial de se tornar a nova espécie dominante do planeta – momento em que a inteligência artificial conseguirá equiparar-se à inteligência humana, alcançando-se a singularidade tecnológica.

Estamos prestes a viver - ou sobreviver - a transformações tão radicais e determinantes quanto aquelas sofridas pelas gerações desafiadas pelas máquinas a vapor. Estamos equilibrados na ponta do iceberg das mudanças estruturais que as tecnologias provocarão nas próximas décadas.

Não me parece precipitado afirmar, entretanto, que a humanidade precisará enxergar-se além de suas capacidades intelectuais, buscando o que de mais essencial e universal aprendemos nos últimos milênios da existência humana.

Com efeito, os grandes avanços científicos e tecnológicos ainda não foram capazes de reproduzir ou simular as forças motrizes dos grandes feitos que, geração após geração, permanecem na memória dos povos como objeto de orgulho e celebração: o amor, a compaixão e a justiça, valores universais de especial significado para o estágio civilizatório em que nos encontramos.

Resta-nos afinal, como heróis prestes a uma nova jornada, voltarmos aos princípios, aos valores e aos propósitos mais latentes do pensamento humano - e torcer, parafraseando Antoine de Saint-Exupéry, que o essencial não seja invisível aos algoritmos.

Please reload

Featured Posts

VIDA ALÉM DA FOLIA

February 27, 2019

1/10
Please reload

Recent Posts

February 27, 2019

January 1, 2019

November 2, 2018

Please reload

Archive
Please reload

Search By Tags